
| Não há certeza sem a dúvida, e ao duvidar, temos ao menos a certeza de que duvidamos. Todavia, duvidar não implica necessariamente em um princípio de não confiança. A dúvida só é possível, quando somos privados de certezas, sobretudo pela ausência na clareza dos fatos. Dizer apenas aquilo que houve, privando sobretudo do quando e talvez ainda do onde, não transparece fatos e alimenta hipóteses. Na tentativa de evitar situações piores, ou mesmo de não fazer alguém infeliz, tendemos a não explicitar detalhes, que sob nosso modo, não teriam relevância. As particularidades suprimidas, na maioria das vezes, tornam-se possibilidades incríveis para caminhos duvidosos. Apenas uma dúvida não é obrigatoriamente desconfiança, mas ao ser lançada aos pensamentos, as lacunas nos deixadas por diversas vezes somam-se, completam-se. Essa fusão é voraz em produzir incoerências, e nesse estágio, já não temos mais apenas a dúvida incial. Fabricamos certezas, inda que acerca de fatos duvidosos, e passamos a desconfiar. A dinâmica do pensamento humano talvez seja muito cruel (e pode ser agravada por distúrbios físicos). Não há ser humano que não se permita pensar. E assim, temos a certeza de que nossas tentativas em esclarecer qualquer fato, por mais que pareçam claras aos nossos olhos, e por mais inocentes que nos imaginamos ser, embebe o outro numa dose qualquer de dúvida, que pode virar ou não desconfiança. E isso pode ou não depender de nós... |

Quanto mais se contrai, mais o tempo se torna mundial. Quanto mais se reduz ao presente, mais a história se torna contemporânea. Quanto mais o tempo se comprime, mais a competição se aguça e mais o tempo se torna, por excelência, o trunfo estratégico e o fantasma perdido de nossa modernidade tardia.

...nunca perdem o juízo a respeito do que está acontecendo consigo próprios e percebem o absurdo ou exagero do que está se passando; mas como não sabem o que está acontecendo, temem estar enlouquecendo...

Os Cinco Obstáculos
(Ajaan Brahmavamso)
1. O Desejo Sensual se refere àquele tipo particular de querença que busca pela felicidade através dos cinco sentidos da visão, audição, olfato, paladar e tato. Ele exclui qualquer aspiração pela felicidade através do sexto sentido da mente exclusivamente. Na sua forma mais extrema, o desejo sensual é uma obsessão por encontrar o prazer em coisas como a intimidade sexual, boa comida ou música refinada. Mas também inclui o desejo de substituir experiências irritantes ou mesmo dolorosas nos cinco sentidos por experiências prazerosas, isto é, o desejo pelo conforto sensual.
2. A Má Vontade se refere ao desejo de punir, machucar ou destruir. Ela inclui a raiva de alguém ou mesmo de uma situação problemática, e é capaz de gerar uma energia tão intensa que é ao mesmo tempo, sedutora e viciogênica. Na ocasião, ela sempre parece justificável, pois tamanho é o seu poder que ela facilmente corrompe a nossa habilidade de julgar de modo equilibrado.

A unidade de um quadro pode ser estabelecida de muitas maneiras: pela maneira como as formas conduzem a vista através dele e pelas relações entre formas, texturas, material temático, cor, tons e assim por diante. Um quadro unificado é constituído por diversos destes modos de relação. No entanto, não é apenas o grau de unidade que determina o valor de um quadro. Uma tela pintada monocromaticamente não podia estar mais unificada. O grau de diversidade também conta. Quanto mais diverso é o material que fica unificado (até a um certo grau), maior é o valor.
Robert Nozick

Continuou a caminhar e era imprescindível essa corrida.
Contra quem? Contra o quê?
A que (des)lugares desejava chegar, se pensava alguma coisaa não ser em sua inconclusa situação de habitante de lugar algum?
Do outro lado, o mundo: os motoristas de táxi enrolando conversas, as pombas cagando sobre estátuas...
(Ronaldo Cagiano)

FREUD E OS MECANISMOS DE DEFESA
SUBLIMAÇÃO
A energia associada a impulsos e instintos socialmente e pessoalmente constrangedores é, na impossibilidade de realização destes, canalizada para atividades socialmente meritosas e reconhecidas.
REPRESÃO
A repressão afasta da consciência um evento, idéia ou percepção potencialmente provocadoras de ansiedade e impede, dessa forma, qualquer "manipulação" possível desse material. Entretanto, o material reprimido continua fazendo parte da psique, apesar de inconsciente, e que continua causando problemas.
NEGAÇÃO
Negação é a tentativa de não aceitar na consciência algum fato que perturba o Ego. Os adultos têm a tendência de fantasiar que certos acontecimentos não são, de fato, do jeito que são, ou que na verdade nunca aconteceram.
RACIONALIZAÇÃO
Racionalização é o processo de achar motivos lógicos e racionais aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis. É o processo através do qual uma pessoa apresenta uma explicação que é logicamente consistente ou eticamente aceitável para uma atitude, ação, idéia ou sentimento que causa angústia. Usa-se a Racionalização para justificar comportamentos quando, na realidade, as razões para esses atos não são recomendáveis.
FORMAÇÃO REATIVA
Esse mecanismo substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.
DESLOCAMENTO
É o mecanismo psicológico de defesa onde a pessoa substitui a finalidade inicial de uma pulsão por outra diferente e socialmente mais aceita.

DIVAGAÇÕES CARTESIANAS SOBRE A DÚVIDA
* A dúvida é um pensamento, e, no instante em que a penso, não posso duvidar de que a penso.
* A autoconfiança na solidez metafísica do ego pensante surge como poderosa compensação psicológica para a perda da confiança na realidade do "mundo".
* A possibilidade da dúvida repousa inteiramente no nosso poder de conceber que as coisas sejam de um outro modo que não aquele com que se nos apresentam num dado momento.
* A dúvida quanto à realidade do mundo é sempre e necessariamente um fingimento, e quanto mais o fingidor se esforce para levar esta dúvida a sério, para torná-la cada vez mais verossímil, tanto mais o brilho mesmo da performance atestará a diferença entre o verossímil e o verdadeiro.
* A dúvida só é possível quando se sabe que algo, seja no percebido, seja no suposto, é insatisfatório, que não atende a um requisito fundamental de veracidade.
Apresento-me
em época de um novo princípio...
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